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Montepulciano é uva ou lugar? Entenda o nome no rótulo

Uvas escuras, taça com vinho tinto e caderno de estudo sobre uma mesa em terraço, com telhados e vegetação inspirados em Santa Teresa, no Rio, ao fundo.

Imagem ilustrativa gerada por IA; cenário inspirado em Santa Teresa.

Você encontra “Montepulciano” em duas garrafas italianas e imagina que elas tenham a mesma uva. Depois, vê esse nome em um vinho brasileiro. A dúvida é boa: afinal, estamos falando de uma variedade, de uma cidade ou de um tipo de vinho?

Montepulciano pode ser o nome de uma uva e também de uma cidade italiana. Para entender o que está na garrafa, vale ler as palavras que acompanham o nome. Elas mudam bastante a conversa.

Vamos separar essas informações sem transformar o momento de escolher um vinho em uma prova de geografia.

Quando Montepulciano é a uva

Montepulciano é uma variedade tinta muito associada ao Abruzzo, região italiana. Na expressão Montepulciano d’Abruzzo, o nome da uva aparece junto à indicação de origem. Estamos diante de uma denominação, com regras próprias de produção.

Para a versão base da Montepulciano d’Abruzzo DOC, o regulamento exige pelo menos 85% da variedade Montepulciano. Pode haver até 15% de outras uvas tintas não aromáticas autorizadas no Abruzzo. Portanto, ler esse nome não permite concluir, sozinho, que o vinho seja 100% Montepulciano. A composição específica depende do produtor e deve ser conferida na ficha da garrafa. Fonte: regulamento publicado pelo Consorzio Tutela Vini d’Abruzzo.

Esse detalhe ajuda a escapar de uma simplificação comum: o destaque de uma uva no nome não substitui todas as informações técnicas do vinho.

Quando Montepulciano é o lugar

Montepulciano também é uma cidade da Toscana. É a referência geográfica presente no nome Vino Nobile di Montepulciano DOCG.

Nessa denominação, a principal uva é a Sangiovese: a regra geral estabelece um mínimo de 70%, com possibilidade de outras variedades tintas autorizadas na Toscana. Há categorias com exigências próprias, como a menção Pieve, que não deve ser confundida com a regra geral. Fonte: Consorzio del Vino Nobile di Montepulciano.

Assim, “d’Abruzzo” e “Vino Nobile di” são pistas fundamentais. Os nomes se parecem, mas identificam vinhos de regiões e bases de uvas diferentes. Guardar essa distinção já resolve a maior parte da confusão.

Dois exemplos do nosso catálogo

O La Cacciatora Montepulciano d’Abruzzo 2023 aparece no catálogo da Better Wine como um vinho italiano do Abruzzo, com a denominação DOC Montepulciano d’Abruzzo. Ele ilustra o primeiro caso: o nome reúne a variedade e uma origem regulamentada.

Já o Amitié Montepulciano Oak Barrel é apresentado como um vinho brasileiro da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, elaborado com a variedade Montepulciano. Nesse caso, encontrar a palavra no rótulo não torna o vinho italiano nem o vincula à denominação d’Abruzzo.

São exemplos úteis para ler nomes. Não estamos dizendo que os dois tenham o mesmo sabor, a mesma composição percentual ou o mesmo processo de elaboração. A identidade completa de cada vinho pede sua própria ficha técnica.

Um jeito simples de ler o rótulo

Em vez de tentar decorar todas as denominações, faça três perguntas. Elas ajudam tanto diante da prateleira quanto ao consultar uma carta de vinhos.

  1. Qual é o nome completo? Leia além da palavra em destaque. “Montepulciano”, isolada, deixa uma pergunta aberta. As palavras anteriores e seguintes dão contexto.
  2. De onde vem? Procure país e região, inclusive no contrarrótulo. No exemplo brasileiro, essa informação desfaz imediatamente a associação automática com a Itália.
  3. Qual é a composição informada? Se quiser saber as proporções exatas, consulte a ficha do produtor para aquele rótulo e aquela safra. O mínimo previsto por uma denominação não é, necessariamente, a receita usada em todas as suas garrafas.

Também vale separar o nome do produtor, a safra e a denominação. Anotar apenas “gostei do Montepulciano” pode dificultar reencontrar o vinho. Uma fotografia legível da frente e do verso da garrafa costuma ser mais útil do que confiar na memória.

E as letras DOC e DOCG?

São siglas italianas ligadas às denominações de origem: DOC significa Denominazione di Origine Controllata; DOCG acrescenta e Garantita. Nos casos deste artigo, cada denominação tem seu regulamento. As letras não dispensam a leitura do nome completo e não dizem, sozinhas, qual garrafa combinará melhor com o seu gosto.

Para ampliar essa leitura, nosso artigo sobre o significado de IGP no rótulo aborda outra indicação de origem. O importante é observar o sistema e o país de cada vinho, sem tratar siglas diferentes como se fossem intercambiáveis.

O nome é o começo da conversa

Na próxima vez que Montepulciano aparecer, você já terá um caminho: ler a expressão inteira, localizar a origem e conferir a uva. Não precisa decorar um mapa para apreciar vinho. Basta fazer a pergunta certa antes de tirar conclusões.

E, se duas garrafas compartilham uma palavra, deixe espaço para conhecer o que cada uma tem de particular. Essa curiosidade torna a leitura do rótulo mais interessante e a conversa à mesa muito mais fácil.

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