Vinhos

Rio Gastronomia 2026: o que abrir em casa depois do festival

Mesa comunitária cheia de gente com garrafas e taças de vinho em um festival gastronômico

O Rio está com cheiro de comida boa. De 17 de setembro a 4 de outubro, o Jockey Club Brasileiro recebe a 16ª edição do Rio Gastronomia 2026: 36 restaurantes e botecos na mesma praça, aulas-show com chefs, feira de produtores fluminenses, a roda-gigante de sempre e uma agenda de música que começou com Samuel Rosa.

Quem já foi conhece a dinâmica. Você anda, prova, divide, anda de novo. É comida em porção pequena, comida de pé, comida entre uma conversa e outra. E é justamente por isso que o festival deixa uma sensação curiosa no fim da noite: a de que faltou sentar.

O que o Rio Gastronomia 2026 tem, além da comida

O festival é do jornal O Globo e acontece de quinta a domingo, ao longo de três fins de semana. Na mesma praça convivem casa estrelada e boteco tradicional, o que é um retrato honesto de como o carioca come de verdade.

Vale reservar tempo para duas coisas que costumam passar batido: as aulas-show gratuitas, onde dá para ver o cozinheiro trabalhando de perto, e a feira de produtores do estado do Rio — queijo, conserva, azeite, cachaça, doce. É de lá que sai o que você leva para casa.

Ingressos e programação estão no site oficial do evento.

O que fica na cabeça depois de um dia no Jockey

Quase sempre é um sabor específico. O empanado que você comeu em pé, com a mão. O ceviche que veio gelado na hora certa. A costela que desmanchou. A sobremesa que você dividiu com quem estava do lado.

No dia seguinte vem a vontade de repetir aquilo com calma, sentado, sem fila e sem barulho. Essa segunda mesa é a que a gente gosta de pensar aqui — e é a única parte da experiência que você controla inteira.

Duas pessoas brindando com taças de vinho tinto sobre uma mesa com pizza e massa
A mesa que vem depois do festival

Comida de festival tem cinco caras — e cada uma pede uma coisa

Não é regra de sommelier, é observação de quem come. Reparando no que você prova no Jockey, quase tudo cai em cinco famílias, e cada uma tem uma exigência bem simples.

O frito e salgado — bolinho, croquete, pastel, casquinha — satura a boca no terceiro pedaço. O que resolve não é gelado, é acidez com bolha, que limpa o paladar e devolve o sabor do primeiro pedaço.

O mar — ceviche, ostra, camarão, peixe na brasa — é delicado e salgado. Qualquer coisa encorpada demais atropela. Quer frescor, leveza e pouco álcool, para acompanhar sem pesar.

A brasa chega com gordura, sal e fumaça no mesmo prato. Aqui, ao contrário, vinho leve some. Precisa de estrutura, e de preferência de algo que já tenha um fundo defumado próprio.

A massa e a pizza vivem do molho de tomate, que é ácido e doce ao mesmo tempo. Esse é o caso em que vinho caro atrapalha: o que combina é fruta madura e tanino que não briga.

A sobremesa é a armadilha clássica. Doce com tinto seco faz um anular o outro. Com confeitaria e frutas vermelhas, o caminho é bolha rosé: fruta suficiente para acompanhar, acidez suficiente para não empalagar.

Sabendo disso, escolher fica fácil.

O festival acaba dia 4. A mesa, não.

O Rio Gastronomia dura três semanas por ano. O resto do calendário é com você: o almoço de domingo, o jantar de quinta que virou comemoração, a visita que chegou sem avisar.

Se o festival serve para alguma coisa além de comer bem, é para lembrar que mesa boa não depende de data marcada. Depende de gente em volta e de uma garrafa aberta.

E para acompanhar, o que abrir?

Separamos cinco rótulos da nossa prateleira, um para cada uma dessas cinco famílias de sabor, com a sugestão de quando abrir cada um.

Quer continuar por aqui? A gente escreveu sobre o que abrir da sexta ao domingo e sobre os vinhos da primavera, estação que começou junto com o festival.

A Better Wine não é patrocinadora nem expositora do Rio Gastronomia. Este texto é editorial, escrito por quem gosta de comer e beber no Rio.

Aprecie com moderação. Venda de bebidas alcoólicas proibida para menores de 18 anos.